Se você possui ou gerencia uma loja de roupas, provavelmente já se perguntou por que a carga tributária consome uma fatia tão grande do seu faturamento. A realidade é que o varejo de vestuário está entre os segmentos mais onerados fiscalmente do Brasil — e está para mudar significativamente. A Reforma Tributária 2026 traz tanto desafios quanto oportunidades que demandam planejamento desde agora.
Neste artigo, você descobrirá quais impostos sua loja realmente paga, quanto isso representa na prática e como se preparar para as transformações que chegarão com o novo sistema tributário. Este é um texto essencial para qualquer lojista que deseja maximizar sua competitividade sem arriscar sua saúde fiscal.
Impostos de lojas de roupas incluem ICMS, PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. No Simples Nacional, a alíquota varia de 4% a 19% sobre faturamento anual. Com a Reforma Tributária 2026, PIS e COFINS desaparecem, substituídos por CBS e IBS, reduzindo a cumulatividade tributária e simplificando cálculos.
Quais são os impostos que sua loja de roupas precisa pagar?
Antes de entender o futuro, é fundamental compreender o presente. A estrutura tributária brasileira é complexa e recai pesadamente sobre o varejo de vestuário. Na prática, uma loja de roupas enfrenta um conjunto de tributos que variam conforme o regime de tributação escolhido.
O Brasil atua com três principais regimes tributários para o comércio varejista: o Simples Nacional, o Lucro Presumido e o Lucro Real. Cada um possui características distintas, custos diferentes e adequações específicas conforme o faturamento. Aproximadamente 90% das lojas de roupas no Brasil adotam o Simples Nacional, pois é o regime mais vantajoso para empresas com receita até R$ 4,8 milhões anuais.
Qual é a alíquota de impostos no Simples Nacional para lojas de roupas?
O Simples Nacional simplifica a vida do lojista ao unificar diversos impostos em um único pagamento mensal, a DAS (Documento de Arrecadação do Simples). A alíquota varia conforme a receita bruta acumulada nos últimos 12 meses. Observe a tabela abaixo:
| Faixa | Receita Bruta Anual | Alíquota | Dedução (R$) |
|---|---|---|---|
| 1ª | Até R$ 180.000 | 4,00% | — |
| 2ª | R$ 180.001 a R$ 360.000 | 7,30% | 5.940 |
| 3ª | R$ 360.001 a R$ 720.000 | 9,50% | 13.860 |
| 4ª | R$ 720.001 a R$ 1.800.000 | 10,70% | 22.500 |
| 5ª | R$ 1.800.001 a R$ 3.600.000 | 14,30% | 87.300 |
| 6ª | R$ 3.600.001 a R$ 4.800.000 | 19,00% | 378.000 |
Ponto importante: no Simples Nacional, o imposto é calculado sobre o faturamento total, não sobre o lucro. Isso significa que mesmo em meses com margem menor, você recolhe a alíquota completa. Para uma loja faturando R$ 600 mil anuais (3ª faixa), o imposto seria de 9,5%, totalizando aproximadamente R$ 57 mil anuais — o que equivale a um encargo significativo por mês.
Quais impostos são incluídos no Simples Nacional?
Dentro da DAS, múltiplos tributos estão unificados:
- IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica): componente principal do pagamento
- CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido): incide sobre lucro presumido
- PIS (Programa de Integração Social): contribuição federal
- COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social): maior peso tributário
- ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços): tributo estadual
- IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): quando aplicável
- ISS (Imposto sobre Serviços): para atividades de serviço
- INSS (Instituto Nacional Seguro Social): contribuição patronal
O ICMS é historicamente o tributo com maior impacto no varejo de vestuário, variando entre 12% e 17% dependendo do estado. Em São Paulo, por exemplo, a alíquota interna é de 17% para vestuário, enquanto operações interestaduais sofrem redução parcial — diferença chamada de DIFAL.
Quanto custa tributariamente faturar R$ 1 milhão em uma loja de roupas?
Vamos a um exemplo prático. Uma loja de vestuário que fatura R$ 1 milhão por ano se encontra na 4ª faixa do Simples Nacional (R$ 720.001 a R$ 1.800.000). Neste caso:
Cálculo:
- Alíquota: 10,70%
- Dedução: R$ 22.500
- Imposto mensal médio: (R$ 1.000.000 × 10,70% − R$ 22.500) ÷ 12 = R$ 8.458
Ao longo do ano, sua loja recolheria aproximadamente R$ 101.500 em impostos sobre esse faturamento de R$ 1 milhão. Isso não inclui impostos adicionais sobre importação de produtos (caso aplicável) ou encargos trabalhistas (FGTS, 13º salário etc.).
Observe que essa carga já é considerável. Para contexto: em países desenvolvidos, o varejo de moda opera com cargas tributárias que raramente ultrapassam 20%, enquanto no Brasil estamos falando de cifras que beiram o dobro disso quando analisamos a cadeia produtiva completa.
Como o Lucro Presumido se compara ao Simples Nacional?
Alguns lojistas maiores consideram migrar para o Lucro Presumido. Neste regime, o imposto é calculado sobre uma presunção de lucro estabelecida pela Receita Federal, não sobre faturamento.
Para comércio e varejo de roupas, a presunção de lucro é de 8%. Os tributos principais são:
| Tributo | Alíquota |
|---|---|
| IRPJ | 15% (+ 10% adicional em lucros > R$ 20k/mês) |
| CSLL | 9% |
| PIS | 0,65% |
| COFINS | 3% |
| ICMS | Varia por estado (12-17%) |
Comparação: Para uma loja faturando R$ 1 milhão, o Lucro Presumido resultaria em uma carga estimada entre 22% e 28%, dependendo do estado — valores significativamente superiores ao Simples Nacional. Por isso, poucas lojas de vestuário adotam esse regime.
Qual é o impacto da Reforma Tributária 2026 nas lojas de roupas?
Se há uma mudança iminente que todo lojista de vestuário deve acompanhar, é a Reforma Tributária 2026. Aprovada via Emenda Constitucional nº 132/2023, ela representa a transformação mais profunda do sistema tributário brasileiro em décadas. Para o varejo de moda, as implicações são tanto desafiadoras quanto potencialmente favoráveis.
Como funciona o novo sistema de impostos pós-2026?
A Reforma Tributária substitui cinco tributos complexos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) por um modelo simplificado baseado em dois impostos únicos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços):
- Tributo federal que substitui PIS, COFINS e parte do IPI
- Alíquota única em todo o país, sem variação estadual
- Aplicação não cumulativa (crédito amplo sobre insumos, energia e serviços)
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços):
- Tributo compartilhado entre estados, municípios e Distrito Federal
- Substitui o ICMS (estadual) e ISS (municipal)
- Funciona como um IVA descentralizado, eliminando conflitos fiscais históricos
O objetivo declarado é eliminar a tributação em cascata — aquela que incide múltiplas vezes ao longo da produção e revenda — e reduzir disputas entre estados. Para o setor têxtil e de vestuário, que enfrenta uma cadeia complexa (fibra → tecelagem → tinturaria → confecção → distribuição → varejo), isso representa uma oportunidade real de redução de custos.
Qual é o cronograma de implementação da Reforma Tributária?
A transição não acontece de uma vez. O cronograma é escalonado e se estenderá até 2033, permitindo adaptação gradual:
| Período | Ação |
|---|---|
| 2026 | Testes com alíquotas simbólicas (CBS 0,9%, IBS 0,1%) |
| 2027 | CBS em vigor pleno; PIS e COFINS eliminados; IPI reduzido a zero |
| 2029-2032 | Substituição gradual do ICMS/ISS por IBS (10% → 20% → 30% → 40% até 100% em 2033) |
| 2033 | Implementação total do novo modelo |
Essa transição gradual é uma oportunidade estratégica. Empresas que se anteciparem na adequação de sistemas, processos e classificação de produtos terão vantagem competitiva significativa.
Como a Reforma afeta a precificação e margens de lojas de roupas?
A Reforma Tributária não garante automaticamente redução de carga tributária. O impacto depende de três fatores críticos:
- Estrutura de custos — Se seus fornecedores estão fora do Simples Nacional e migrarem para CBS/IBS com alíquotas maiores, seus custos de aquisição aumentarão.
- Estado de operação — Estados com ICMS histórico elevado (São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul) podem ver redução significativa. Estima-se impacto de até 6% de redução de custo em regiões de alta tributação.
- Cadeia de suprimento — A eliminação da cumulatividade favorecerá fornecedores que hoje recolhem múltiplos tributos em cascata, reduzindo seus custos. Parte dessa economia pode ser repassada ao varejo.
O setor estima que o custo de estoque pode aumentar entre 5% e 8% nos primeiros anos de implementação (2026-2027), devido ao ajuste de preços de fornecedores. Contudo, entre 2029 e 2032, quando a substituição plena de ICMS/ISS ocorrer, a tendência é de redução progressiva de custos.
O que observamos no mercado: desafios práticos da transição
Na prática, a implementação de uma reforma deste porte enfrenta resistências e complexidades. Lojas que não se prepararem correm riscos tangíveis:
Risco 1: Classificação Fiscal Inadequada
A apuração assistida significa que a Receita Federal calculará automaticamente seus impostos com base em como você classificou cada produto. Erro de classificação = bloqueio de créditos e autuações.
Risco 2: Desatualização de Sistemas
ERPs e softwares contábeis precisam estar preparados para CBS/IBS até 2026. Sistemas legados podem não suportar apuração assistida, criando gargalos operacionais.
Risco 3: Fim de Incentivos Estaduais
Muitas lojas em certos estados se beneficiam de ICMS reduzido ou regimes especiais. Esses benefícios serão gradualmente eliminados até 2033, reduzindo margens.
Risco 4: Reajuste de Custos de Fornecedores
Fabricantes fora do Simples Nacional ajustarão preços para compensar novas alíquotas CBS/IBS. Lojistas que não precificarem seus produtos adequadamente perderão margem.
Estratégias para reduzir impostos em sua loja de roupas
Independentemente dos próximos anos, existem estratégias de curto prazo que lojistas podem implementar agora:
Estratégia 1: Confirme que está no Simples Nacional
Verifique com seu contador se sua CNAE está corretamente enquadrada em 4781-4/00 (Comércio varejista de vestuário e acessórios). Classificação errada pode resultar em tributação desnecessariamente elevada.
Estratégia 2: Otimize a Classificação Fiscal de Produtos
Nem todo item de uma loja de roupas recebe a mesma tributação. Acessórios, chapéus e cintos podem ter alíquotas ICMS diferenciadas em alguns estados. Um mapeamento preciso economiza centenas de reais mensalmente.
Estratégia 3: Negocie com Fornecedores Quanto a DIFAL
Se você compra de fornecedores interestaduais, está pagando DIFAL (Diferencial de Alíquota). Negociar prazos ou volumes pode incluir ajustes no preço para compensar esse encargo.
Estratégia 4: Revise Margens de Venda
Uma loja operando com margens de 40% em um segmento de 50% a 70% está deixando dinheiro sobre a mesa. Análise de ticket médio e mix de produtos pode otimizar receita sem aumentar carga tributária.
Estratégia 5: Prepare-se para a Transição 2026 Agora
Comece diálogos com seu ERP, seu contador e sua rede de fornecedores. Empresas que mapearem riscos e oportunidades antes de 2026 tomarão decisões melhores.
Tabela Comparativa — Regimes Tributários para Lojas de Roupas
| Aspecto | Simples Nacional | Lucro Presumido | Lucro Real |
|---|---|---|---|
| Faixa Ideal | Até R$ 4,8M faturamento | R$ 4,8M a R$ 78M | Acima de R$ 78M ou margens <8% |
| Alíquota Aproximada | 4% a 19% | 22% a 28% | 15% a 34% |
| Cálculo | Sobre faturamento | Sobre presunção de lucro (8%) | Sobre lucro real comprovado |
| Obrigações Acessórias | Simples (DAS mensal) | Complexas (GIA, SPED, Declarações) | Muito complexas (SPED-Contribuições, ECF, Livros) |
| Vantagem Principal | Menor carga e simplicidade | Melhor para baixas margens | Precisão fiscal |
| Desvantagem Principal | Desestímulo ao crescimento | Carga tributária elevada | Complexidade operacional |
Perguntas frequentes sobre impostos de lojas de roupas
Qual tributo mais pesa nos gastos de uma loja de roupas?
O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é historicamente o maior encargo. Em média, representa entre 60% e 70% da carga tributária total de uma loja no regime Simples Nacional. O ICMS varia por estado (12% a 17% internamente em São Paulo, por exemplo) e afeta tanto compras quanto vendas interestaduais. Para lojistas que vendem online ou em múltiplos estados, o DIFAL (diferencial de alíquota) amplifica ainda mais esse custo.
Minha loja de roupas online deve usar um regime tributário diferente?
Não necessariamente. Se você fatura até R$ 4,8 milhões anuais, o Simples Nacional permanece mais vantajoso, independentemente do canal de vendas (loja física ou e-commerce). A diferença está na apuração do ICMS interestadual — vendas para outros estados sofrem redução do ICMS interno, compensada parcialmente pelo DIFAL. Avalie com contador a melhor estratégia de precificação para e-commerce, pois a margem pode ser impactada.
Como a cumulatividade tributária afeta lojas de roupas especificamente?
A cumulatividade tributária significa que cada etapa da cadeia (produção, distribuição, varejo) paga impostos sem poder deduzir o que foi pago antes. Um vestido pode ter carga de 40% até chegar ao fabricante, mais 30% na distribuição, mais 17% no varejo — totalizando ~92% de tributação efetiva. A Reforma Tributária 2026 elimina isso pela não cumulatividade. Para lojas que compram produtos prontos, o benefício será indireto: fornecedores com custos reduzidos devem praticar preços menores, melhorando sua margem.
Há algum benefício fiscal específico para lojas de roupas no Brasil?
Sim, limitadamente. Algumas regiões (como certos municípios do Rio de Janeiro) oferecem Lei da Moda — incentivos que reduzem alíquotas de ICMS. Contudo, esses benefícios estão sendo eliminados gradualmente com a Reforma Tributária. Confecções em algumas regiões também podem acessar crédito de ICMS diferenciado. Recomenda-se mapeamento regional com contador especializado.
Quando devo atualizar meu ERP para a Reforma Tributária 2026?
Imediatamente. O período de 2026 é de testes, não de experiências com sistemas problemáticos. Converse com seu provedor de software em dezembro de 2025 para garantir que o sistema suporta CBS/IBS e apuração assistida. Migrar em janeiro de 2026 deixaria sua loja vulnerável a erros fiscais no período de testes. Empresas que se anteciparem terão histórico de dados limpo quando a apuração assistida da Receita começar a validar automaticamente seus pagamentos.
Conclusão — Prepare sua loja para o futuro fiscal
Impostos em lojas de roupas não são apenas um custo; são um fator estratégico de competitividade. Hoje, a carga tributária brasileira coloca lojistas nacionais em desvantagem clara ante importações com alíquota zero (até USD 50). Contudo, a Reforma Tributária 2026 abre uma janela de oportunidade.
Os próximos dois anos são críticos. Empresas que mapearem sua classificação fiscal, prepararem sistemas, negociarem com fornecedores e planejarem precificação estarão em posição de força entre 2027 e 2033. Aquelas que ignorarem a reforma enfrentarão surpresas fiscais, bloqueios de crédito e margens erodidas.
O momento de agir é agora. Reúna-se com seu contador, audite sua operação fiscal, confirme seu regime tributário e comece a conversa com seu ERP sobre preparação para 2026. A diferença entre estar pronto e estar surpreso pode significar dezenas de milhares de reais em sua resultado anual.
Sua loja de roupas merece uma estrutura tributária clara, eficiente e preparada para o futuro. Invista na compreensão dela hoje.
